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Fast Four: as possíveis consequências para o tênis

Sexta, 19 de maio 2017 às 12:16:10 BRT

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Tênis Profissional

Por Pedro Fiuza - A ATP anunciou essa semana que o “Next Gen ATP Finals”, torneio a ser realizado em Milão entre os oito melhores tenistas abaixo de 21 anos, será disputado através do Fast Four, o mesmo formato que foi utilizado na Copa Hopman este ano.



A partir de uma extensa pesquisa de mercado, além de pesquisas com os fãs de Tênis em diversos países, a ATP pretende testar mudanças no jogo de tênis. Além de alterações significativas como a menor duração do set e do game, o Fast Four pode causar uma revolução substancial: o fim da arbitragem. Pode soar um tanto quanto absurda essa ideia, mas vamos analisar.

Ao assistirmos uma partida de tênis pela televisão, vemos que o árbitro tem como principais tarefas:

·         Introduzir os jogadores à plateia

·         Dizer o placar para jogadores e plateia

·         Dizer se a bola foi dentro ou fora

·         Dizer quando o sensor informar que foi let (quando a bola toca na fita da rede e cai no lado correto do recebedor)

·         Dizer quando o jogador extrapolar o limite para sacar

·         Punir o jogador por conversar com o árbitro

 

Nos torneios atuais já temos o Hawk-Eye, que permite saber de forma mais precisa se a bola foi dentro ou fora. O Fast Four pretende permitir conversa entre jogador e técnico, além de que o jogo continue normalmente quando ocorre o que hoje é chamado de let. Outra característica desse modelo é mostrar no telão os 25 segundos que o jogador tem para sacar, penalizando-o com a perda de saque caso ele ultrapasse esse tempo.

 

Assim, uma pessoa da organização do torneio (por exemplo), ao atualizar o placar do jogo, iniciaria automaticamente o tempo que o jogador tem para sacar. Sendo assim, com a adoção do Fast Four, a única tarefa feita atualmente por um árbitro seria introduzir os jogadores à plateia, o que poderia ser feito por um robô pré-programado, tendo em vista que as informações são basicamente as mesmas. Portanto, as mudanças geradas pelo Fast Four, caso sejam adotadas, tendem a acabar com a presença de árbitros em quadra nos grandes torneios.

 

 

 

 

  

Com esse formato inovador, o jogo passa a ser mais dinâmico, pois um game teria no máximo 7 pontos. Esse cenário pode agradar a uns e desagradar a outros, mas o fato é que o peso de cada ponto se torna mais importante, prendendo mais a atenção do público.

 

Caso houvesse um aumento do número de fãs e público no torneio (motivo pela qual o fast four será adotado este ano em Milão), isso geraria uma maior receita a ATP, o que poderia gerar uma reformulação em torneios menores (como challengers) permitindo que um maior número de tenistas profissionais conseguissem se sustentar somente através da premiação destes torneios.

 

Há anos já é notória a intenção da ATP/ITF de revolucionar o Tênis: seja pela adoção do Round Robin (formato de grupos similar ao utilizado no ATP finals) adotado em 2007 no qual uma derrota não significava eliminação no torneio, seja pela extinção do let (o mesmo sugerido no fast four) que foi testado em challengers no primeiro semestre de 2013 e pela já divulgada notícia da itf-anuncia-criacao-de-novo-circuito-de-transicao-para-o-profissional">criação de um circuito de transição para o profissional.

 

A verdade é que os órgãos que controlam o tênis só irão conseguir adotar alguma mudança mais radical no esporte caso haja aprovação do público, de um modo geral, mas principalmente dos jogadores. Um boicote dos principais ativos dessas instituições, iria pôr em cheque toda e qualquer mudança desejada. Portanto, mais importante que uma pesquisa de mercado e com fãs, é saber se entre os jogadores esse sistema agrada à maioria.