X

Demoliner: 'Dificuldades não vão mudar porque a ATP não vê duplas como viável'

Terça, 05 de dezembro 2017 às 13:44:26 BRST

Link Curto: http://bit.ly/2iT5wbs

Tênis Profissional

Por Marden Diller - Após a apresentação do Rio Open, o duplista número três do Brasil e 34 da ATP, Marcelo Demoliner, conversou com exclusividade com o Tênis News e contou seus planos, as dificuldades financeiras de ser duplista e mudanças de regras.



O gaúcho começou analisando sua temporada 2017, que foi a melhor da carreira: "Foi uma temporada incrível, de grandes vitórias. Grandes feitos. [Foram] Quatro vice-campeonatos, vitórias sobre nomes expressivos do tênis mundial, com as lendas 'irmãos Bryan'. Foi uma temporada que me trouxe mais confiança, principalmente visando o próximo ano".

O tenista, que faz parte da equipe da Tennis Route no Rio de Janeiro, já deu inicio a sua pré-temporada, se disse empolgado e sentindo que seu jogo está  'cada dia melhor', mas confessou que ainda não tem um parceiro definido para disputar o circuito em 2018: "Ainda não tenho parceiro fixo. Vou começar o primeiro torneio do ano jogando com o (neozelandês) Michael Venus. Depois eu jogo como Treat Huey, que é filipino".

Garantido na disputa do Rio Open, o gaúcho pretende jogar outros torneio na região, mas sem parceiro definido: "Ainda não sei com quem vou jogar a gira da América do Sul. Acredito que Acapulco eu jogue com o Sam Querrey de novo. Não tive conversas com ninguém, vou buscar agora, mas gostaria de ser um só para a América do Sul. Queria pegar alguém que jogasse bem no saibro e não ficar pingando", declarou.

Ao ser questionado sobre a discrepância financeira entre o circuito de duplas e de simples, em que tenistas do top 20 têm situação comparada a de simplistas fora do top 100, Demoliner concordou com as constatações feitas pela imprensa mundial.

"O dado é correto. Se eu não tivesse a ajuda de alguns patrocinadores que tive este ano, eu ficaria na estaca zero. Mas com ajuda deles e estando no top 40, você já consegue tirar 50 mil dólares limpos no ano, que é um valor que tu ganha na primeira rodada de um Grand Slam em simples. É uma discrepância bem grande e acredito que não mude, mas pode melhorar", ressaltou. 

Agente primordial numa possível mudança, a Associação dos Tenistas Profissionais (ATP), não vê o circuito de duplas tão 'viável' de acordo com o brasileiro: "A discrepância não vai mudar porque a ATP acredita que as duplas não têm tanta visibilidade e marketing (atrair) como simples. Enfim, se eles melhorarem um pouco , já nos ajuda, não dá pra reclamar e temos que lutar para chegar no top 20 onde começa a ficar rentável, que tu fica numa zona de conforto", resumiu.

Questionado se a ATP discute alguma mudança para o jogo de duplas em 2019, Demoliner revelou: "Eu só escutei falar, não tem nada certo, parece que o 'no-ad' vai acabar e vão voltar com a vantagem. O super-tiebreak vai continuar. A maior mudança para duplas seria o 'no-ad'"

Por fim, Marcelo Demoliner falou sobre um dos momentos mais duros do jogo de duplas que é sacar com 40-40 e sem a existência da vantagem: "Cara é difícil, principalmente se você pegar um bom devolvedor e se você não aproveita o primeiro saque, fica a pressão e se dão uma sorte naquele momento. Se a vantagem voltar, seria o mais justo. Estou torcendo para que volte".