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Segundo mais velho e jogar a Davis, Benavides é favorito no Seniors no RS

Terça, 28 de novembro 2017 às 19:38:48 AMT

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Tênis Profissional

Pelo quarto ano seguido, o boliviano Ramiro Benavides está em Porto Alegre para a disputa do 32º Banco Agiplan Seniors Internacional de Tênis de Porto Alegre – Copa Yone Borba Dias e vai buscar sua primeira conquista desde 2014 na Associação Leopoldina Juvenil. O torneio é o maior da categoria mundial com Graduação A para o ranking da Federação Internacional de Tênis.



Segundo do mundo e principal favorito na categoria 70 anos, Benavides se destacou no tênis adulto com 15 anos, foi semi do Orange Bowl, um dos maiores do mundo do juvenil, e foi recrutado pela Universidade de Chorpus Christi, no Texas, onde se desenvolveu para ter uma ótima carreira no profissional a partir de 1971. Derrotou o italiano Adriano Pannatta, então entre os 10 melhores do mundo em 1975 em Florença, na Itália. No ano seguinte o italiano ganhava Roma e Roland Garros e se tornava um dos cinco melhores do mundo.

Ainda disputou oito duelos por seu país na Copa Davis, um deles no Leopoldina Juvenil em 1971 contra o forte time de Thomaz Koch e Edison Mandarino perdendo por 5 a 0, mas se tornou o segndo jogador mais velho a disputar a competição em 2003 com 56 anos de idade - perde apenas para Gadonfin Yaka de Togo que jogou com 60 anos.

"O problema é que eu era sozinho na Copa Davis quando jogava, se eu perdia um ponto a eliminatória ficava perdida, era duro pra mim, às vezes conseguia, mas precisava um parceiro. Em 1986, 1987 me chamaram para ser capitão da Copa Davis, e em 2003 tinha 56 anos e jogavamos o Grupo III da Copa Davis, perdemos de El Salvador, eu como capitão-jogador que a Federação Boliviana me colocava, tive que jogar uma dupla, os dois de simples estavam muito cansados, fizemos um bom jogo, mas perdemos no último set, no primeiro set estavam jogando em cima de mim, do velinho, mas eu jogava muito bem e eles no seguinte mudaram para ir em cima do outro, joguei com Javier Taborga. Foi uma experiência muito boa, não me surpreendi na época pois pensava que podia entrar pois algum deles lesionando teria que estar pronto, estava bem, pronto,deu pra jogar bem", lembrou Benavides que em sua carreira somou vitórias sobre Thomaz Koch.

Começou no Seniors há cinco anos por um amigo paraguaio que joga na Bolívia e espera revalidar, quatro anos depois, a conquista na capital gaúcha e sonha avançar ao topo do ranking onde ocupa o segundo lugar: "Comecei a gostar, ganhar e ganhar e foi ótimo. Hoje eu jogo os torneios Grau A, Grau 1 e Mundiais. Vou nos torneios que para mim são bons como este daqui. Ganhei o torneio primeiro que vim aqui depois perdi do alemão Gerd Dahmen que esse ano não veio, queria enfrentá-lo, pegar uma revanche. O clube melhorou muito, sempre foi bonito, fizeram uma reforma muito boa. A expectativa é boa de ganhar o torneio e buscar o número 1 do mundo para o ano que vem".

Natural de La Paz, Benavides se casou com uma brasileira, morou por nove anos em São Paulo e hoje dá aulas e desenvolve o tênis em Santa Cruz de la Sierra. Ele se mostra preocupado com o momento atual e o futuro do tênis em seu país.

"Hoje em dia falta infra-estrutura, a Federação é comandada por empresário só que eles não vão atrás das empresas, pegam o dinheiro que a Federação Internacional de Tênis dá e só investem em juvenis e pagam passagens para a Copa Davis. Não há nada que ajude os atletas, o governo do país não ajuda, deveria fazer igual ao Brasil descontando nos impostos, Lei de Incentivo, isso seria bom para a Bolívia.

Benavides se mostra preocupado com o que o atual presidente da federação local, Alvaro Guzmán Bowles, pode fazer e explica o motivo por não estar envolvido diretamente nos cargos diretores: "Está querendo trazer tudo para La Paz, está no primeiro ano, mas é difícil pois é difícil jogar lá, todos os torneios são nível do mar, é um jogo diferente lá em La Paz, você não consegue bater, é um jogo de toque, como entrou agora vamos ver o que faz ano que vem. Nunca me chamaram porque são Associações e todos quase são empresários, poucos sabem de tênis, eles votam e vêem quem da turma pode entrar, eles não gostam porque você vai trocar a estrutura que têm, a ITF manda dinheiro e eles põe no bolso, viajam com a esposa, filhas, leva dois, três jogadores, ao invés de levar médico, fisioterapeuta".

Benavides estreia em Porto Alegre apenas na quinta-feira contra o vencedor do duelo entre os brasileiros Antero Bicca e Nelson Loitzenbauer.